A responsabilidade social como estratégia competitiva
A responsabilidade social tem mudando a cultura empresarial nas últimas décadas e não há como ignorar este fato. A cada momento as organizações buscam novas formas de se diferenciarem uma das outras e isso é o que tem gerado a saudável competitividade entre elas, seja através do desenvolvimento de novos produtos, novos serviços, novos canais, adotando para isso novas estratégias. Entretanto esse cenário não se originou à toa, ele reflete uma tendência onde a sociedade esta cada vez mais exigente, preferindo consumir produtos de organizações que adotem uma postura socialmente responsável e que gerem menores impactos sociais e ambientais. Para a especialista em Marketing Social e Gestão de Negócios Sustentáveis, Simone Xinaida, “o diferencial está em incorporar esses novos conceitos, como o respeito ao meio ambiente, ao ser humano e a comunidade onde se está inserida”, diz.
De acordo com Simone, que participou de painel sobre responsabilidade social corporativa no 3º RH Oeste, no último dia 18 de novembro, a diversidade entre as pessoas e público é um valor estratégico para as corporações. “Por exemplo, o cumprimento da lei de cotas para a contratação de pessoas com deficiência – Lei número 7.853/89 e o Decreto 3.298/99 que a regulamenta – ainda não reflete uma conscientização do papel social das empresas, mas sim, resultado de uma fiscalização mais efetiva, que tem forçado as organizações ao seu cumprimento”, explica.
Para fazer o diferencial, é importante as organizações estarem sempre atentas ao público e à comunicação freqüente com ele e com os colaboradores. Entretanto, para que a comunicação seja assertiva torna-se necessário que organização esteja preparada para lidar com o ambiente virtual, conhecer muito bem quem é o seu consumidor e o que ele espera da organização, não deixando de lado os estudos e pesquisas realizados previamente. Nesse sentido, o uso de ferramentas tecnológicas auxilia na melhoria da comunicação interna de uma organização. Entretanto, como afirma Xinaida, “todas são soluções tecnológicas e devem ser vistas como ferramentas que facilitam os processos rotineiros e não como uma solução. Não podemos perder de vista a importância de integrá-las com outras ações do RH para que contribuam efetivamente no melhor clima da organização. Saber empregar corretamente estes recursos nas companhias, sem dúvida, pode gerar uma enorme vantagem competitiva”.
Nesse sentido, não há como separar a idéia de responsabilidade social e a boa gestão em recursos humanos. O papel do RH tornou-se fundamental, principalmente no que tange a mudança de hábitos e de cultura da organização, uma vez que as empresas já visualizam a gestão da responsabilidade social como uma ferramenta capaz de auxiliar no fortalecimento de suas marcas e conseqüentemente, no aumento da lucratividade. A Gestão de Pessoas está diretamente ligada à Responsabilidade Social. Logo, o RH deve se engajar em fazer com que cada colaborador, sinta-se responsável por esse tema tão importante dentro da organização. “Não adianta a empresa apoiar projetos sociais ou fazer doações para a comunidade, se não é ética e não investe na qualidade de vida dos colaboradores. Aí está o erro, pois muitas empresas investem somente no gerenciamento externo e responsabilidade social se expressa através dos princípios e dos valores adotados pela organização, sendo importante seguir uma linha de coerência entre ação e discurso”. O limite entre a teoria e a prática é o que leva muitas gestões afundarem.
Como exemplo de uma postura de inovação das empresas à frente em termos competitivos, Simone Xinaida aponta ações onde, ao investir na capacitação de seus colaboradores, as empresas valorizam o seu capital intelectual, aumentam a produtividade e melhoram a eficiência. Ao detectarem novas oportunidades de negócios, tais como investir em energias limpas e renováveis, as empresas também contribuem para o meio ambiente, sem por isso deixar de lucrar. “Outro exemplo, são as campanhas de sensibilização de seus colaboradores para a valorização da diversidade. Investindo na qualidade da relação que mantém com as pessoas, interna e externamente, cumprem com a obrigação de se tornarem organizações cidadãs”.
Não podemos deixar de mencionar o Projeto Sem Limite, do Senac Rio. Simone Xinaida, que é Especialista da Gerencia de Sustentabilidade da instituição, afirma que ele é realizado através de consultoria com foco principal na inclusão social de pessoas com deficiências no mundo do trabalho, tendo como premissa a questão dos talentos pessoais e o desenvolvimento profissional contínuo. “O projeto prova que a contratação de pessoas com deficiência traz diversos benefícios para as empresas, sendo uma estratégia de gestão capaz de gerar bons resultados”, diz. Como vimos, a hora é essa! Então, vamos lá, rumo ao novo século, pensando positivo e agindo em coerência com aquilo que se pronuncia.
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