Chefes e subordinados podem - ou devem - ser amigos?
Apesar de o tema ainda ser polêmico, o fato é que o contexto do mundo corporativo atual faz com que a amizade seja cada vez mais parte da realidade dos negócios. As longas jornadas e o trabalho em equipe facilitam o surgimento de relações de afeto entre gestores e funcionários e a criação de vínculos que vão além do profissional. Há quem pense que é preciso ter limites. Mas, também, muita gente que acha que a relação de amizade pode ser bem produtiva. Veja o que dizem especialistas em recursos humanos: ( E você, o que acha: podem ou não podem?)
DECISÕES DIFÍCEIS: Para alguns especialistas, se um chefe criar ou permitir laços pessoais muito íntimos com seus subordinados, não será capaz de tomar decisões difíceis, mas necessárias, nem avaliar com precisão o desempenho destes e dar feedback crítico, observa Jorge Matos, presidente da ETALENT.
- Se um gestor não consegue separar a amizade do lado profissional, terá dificuldade de tomar decisões que serão difíceis para seu subordinado, como uma transferência de área ou demissão, por exemplo, já que, ao fazê-lo, o funcionário vai achar que o chefe não era suficientemente amigo dele. Alguns chefes acabam decidindo não tomar tais decisões e, nesse caso, quem vai sofrer as consequências? A empresa e, provavelmente, o próprio chefe - ressalta Matos.
Para Jacqueline Resch, presidente da Resch Recursos Humanos, a amizade é possível - mas exige maturidade. Tudo vai depender, diz ela, de como as duas pessoas vão encarar essa relação:
- Potencialmente, a proximidade pode ser vantajosa ou não. Não vale confundir as coisas. Se você é amigo do seu chefe, tem que saber quem em alguns momentos ele vai te dar feedbacks que não são positivos, isto é, que revelam que você terá que se reposicionar de alguma forma no trabalho. Mas acho que podemos encontrar benefícios nessa ligação, pois pessoas que se gostam terão prazer em estar na companhia do outro no trabalho.
HORA DA DEMISSÃO: Você é chefe tende a criar essas relações? Pense na sua equipe, um por um, e pergunte a si mesmo, "Se o desempenho desse funcionário caiu e não melhorar, eu seria capaz de demiti-lo?", sugere Linda Hill, professora de administração de empresas na Harvard Business School, em artigo publicado na Fortune. Se você está relutante em disciplinar ou demitir alguém por causa dos danos que isso poderia causar para o seu relacionamento, diz ela, então o seu vínculo com essa pessoa o irá impedir de fazer seu trabalho como chefe.
USO DE AUTORIDADE: Os chefes e os subordinados não são iguais dentro da organização. Mesmo se o chefe mantém sua autoridade "escondida" na maioria das vezes, ele ainda vai precisar usá-la em alguma ocasião de forma que não agradará aos seus subordinados. Para um funcionário que acreditava que o chefe era seu amigo, vai soar como uma traição pessoal.
- Verdade seja dita, o brasileiro não tem muita cultura de receber críticas, ele se melindra. Por isso, para que a amizade no trabalho seja positiva, é preciso uma boa dose de maturidade - ressalta Jacqueline Resch.
CIÚMES NA EQUIPE: Como uma questão prática, não é possível ser amigo de todas os seus funcionários de forma igual, escreve Linda Hill, de Harvard. "Se você é chefe e optar por fazer amigos em sua equipe, a química humana vai entrar em jogo e você vai desenvolver laços mais estreitos com uns do que com outros". A consequência disso seria o surgimento do ciúme, o que afetaria a harmonia do ambiente de trabalho.
A RECEITA: Para os especialistas, afeto e autoridade são as peças primordiais desse quebra-cabeça. A relação deve ser humana e solidária, uma vez que todos se esforçam por um objetivo comum. Mas nesta amizade não se pode perder de vista um fato: dentro da empresa, ela existe para realizar o trabalho. O convívio precisa ser amigável: ninguém, afinal, vai trabalhar duro para um chefe frio, distante, indiferente.
Fonte:
http://oglobo.globo.com/emprego/chefes-podemou-devemser-amigos-de-seus-subordinados-2833726
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