Rene SimoesNo XXVIII Fórum RHDebates, o técnico René Simões mostrou como mesmo um time enfraquecido pela baixa auto-estima, preconceitos e disputas internas pode se tornar uma equipe vencedora, tanto no futebol quanto nas mais tradicionais empresas. À frente de seleções como a dos Emirados Árabes, da Jamaica, Honduras e de times brasileiros, ele nunca encontrou um desafio maior do que o esperava em 2004: a seleção feminina brasileira.

A princípio um grande desafio, conduzir aquelas jogadoras em campo tornou-se uma tarefa mais do que gratificante quando ele pôde observar e dialogar com a alma delas:

- Convivo com quatro mulheres (minhas três filhas e minha esposa) e sou casado sete vezes (todas com a mesma mulher, já que reafirmamos nossos votos de cinco em cinco anos). Portanto já imaginava o que poderia encontrar. Não poderia elogiar uma jogadora na frente das outras, pois assim teria uma envergonhada e todas as outras enfurecidas comigo. Tinha de lidar com pequenas brigas que enfraqueciam o time. Fora o fato de que elas, como toda mulher, gostam de verbalizar.

René viu intempéries quando chegou à conclusão de que, mesmo deixando de ser treinador da seleção feminina, seria sempre reconhecido como treinador de mulheres (fato que ainda hoje fecha portas para ele).  Somando-se a isso, havia um diagnóstico desagradável: muitas sofriam preconceito (algumas haviam sido expulsas de casa por jogar futebol); elas eram o “patinho feio” dos esportes, já que sempre perdiam partidas ou eram vistas com maus olhos por todos; as manchetes negativas tornavam-se cada vez mais frequentes. Era hora de transformar aquele time desunido em uma grande equipe.

- Desde o começo, mostrei a elas qual era o meu objetivo: ser o único treinador do mundo a ir a todas as competições. Como disse naquela época, seria a alquimia olímpica: transformar o sonho em ouro. Para tal, precisávamos fazer um planejamento a curtíssimo prazo e deixar as regras bem claras; se você não o faz, não pode esperar que alguém admita um erro. Precisávamos também de atitude e, acima de tudo, sair da unanimidade para buscar a unidade.

Para por esses planos em prática, o técnico lançou mão de um choque de gestão: com iniciativas ousadas, como recebê-las uma a uma com flores e beijos no rosto no aeroporto em pleno Dia Internacional da Mulher; tratá-las como filhas; viabilizar um encontro entre uma jogadora até então agressiva em campo e o Padre Marcelo Rossi; observar atentamente suas reais necessidades (às vezes fatos pequenos, como um tratamento oftalmológico); pedir abraços ou mesmo mudar a liderança da seleção, tirando a facha de capitã da Juliana Cabral.

A capacitação técnica também era necessária. Aliada a ela e ao choque de gestão, foram utilizados teatros, uma bola de tênis como símbolo da vitória e uma linguagem próxima de cada jogadora. Assim, a equipe se condensou e descobriu a união. Mostrando para elas que era possível ser diferente e vencer, viu, então, o sonho de todos se concretizar: o pódio foi alcançado depois de memoráveis jogos e as jogadoras alcançaram a medalha de prata nas Olimpíadas.

- Disse para elas que nós não éramos elefantes nem pulgas. O elefante, enquanto filhote, fica amarrado pelo pescoço a um tronco de uma árvore enorme. Quando tenta se mexer, a corda machuca seu pescoço. Ele cresce condicionado a isso. Se você colocar um copo em cima de uma pulga, durante um tempo, ela só pulará até a altura do copo. Não éramos nem seríamos condicionados.

Com a prática de um verdadeiro coach, René Simões mostrou a todos no XXVIII Fórum RHDebates a importância da valorização do capital humano e que com ele, seja qual for a área de atuação, é mais do que possível atingir a vitória.

Vejas as fotos do Fórum no flickr do RHDebates

 

Comentários  

 
0 #1 Cristina Palmeira 29-12-2011 16:09
Eu estive neste evento ( meu 1º de muitos), e de tantas experiências compartilhadas e preciosidades que foram ditas, a que me marcou mais foi s seguinte citação de René sobre o R.H: "o que faz o coração da empresa bater".

Cristina
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