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Escrito por Lídia Tamy   

Para quem é a crise?

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Ao contrário do que muitos estavam esperando, a palestra conduzida por Maurício Werner, autor do livro "Enquanto uns choram...outros vendem lenço", não teve um caráter motivacional. Assim como não acredita em curso de inglês que se aprenda dormindo (risos), para ele, as sete chaves para o sucesso definidas por palestrantes motivacionais não são suficientes para encarar a crise.

Para Werner, crise nada mais é que um momento de reflexão, reinvenção dos negócios e do planejamento estratégico da empresa. Por isso, com muito bom humor, ele conduziu a platéia a uma reflexão sobre a necessidade de um processo de desenvolvimento empresarial e de gestão de pessoas frente a um cenário econômico mundial ameaçado.

Durante toda a palestra, Werner fez questão de destacar que a crise é muito mais local do que global. "Não existe crise do acaso e sim, falta de planejamento interno. Muitas empresas culpam a crise, mas ninguém quebra da noite pro dia e perde o rumo do seu negócio por causa de alguns momentos pontuais", defende o autor.

 

Em um cenário de constantes mudanças, tanto comportamentais quanto organizacionais, o senso de oportunidade e a capacidade de adaptação são fundamentais. Cada um, na sua maneira, deve saber como desenvolver o seu negócio. "Crise é tempo de mudança! O bom profissional não pode viver com a síndrome da Gabriela: 'eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim'", brinca o palestrante.

Não adianta a empresa ter boas estratégias e execução falha. Para Werner, vivemos uma "cultura do começa e não termina" que tem inicio na vida pessoal, passando para o plano político e acabando por atingir as empresas. Começamos um curso de inglês, outro de informática, entramos no yoga e paramos na metade. São inúmeras pontes, metrôs e rodovias inacabadas. Nas empresas, grandes metas e objetivos são traçados e esquecidos antes de serem alcançados.

Para estimular a platéia, Werner citou a pesquisa desenvolvida por um consultor indiano que mostra que 50% do que nós vamos consumir em 2020, ainda não foi inventado. Ele aproveita para dar um recado: "faltam apenas 11 anos! Se empresa tem visão a longo prazo, essa é a hora de pensar em inovação!"O mercado está cheio de novidades e nele não existe sorte, mas sim, a soma de oportunidade com competência.

Ao final da palestra, Maurício Werner destacou que não existe crise para todo mundo ao mesmo tempo. Basta olhar para setores que estão "vendendo lenços", enquanto muitos estão "chorando". Merece destaque os cursos pra concurso, as indústrias de bebidas e fumo, a estética, o entretenimento , cosméticos, etc.

 
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